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Anúncio da Frente Parlamentar do Aço é adiado

Trabalhadores e parlamentares terão mais quinze dias para ajustar diálogo com governo e empresários para o lançamento da Frente, em Brasília

Publicado: 24 Maio, 2024 - 19h16 | Última modificação: 24 Maio, 2024 - 19h21

Escrito por: Redação CNM/CUT

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Metalúrgicos reunidos no gabinete do deputado federal Reginaldo Lopes para tratar da Frente do Aço

Representantes dos trabalhadores e parlamentares adiaram o anúncio da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria e Trabalho do Aço, que estava prevista para esta semana em Brasília, e terão mais quinze dias para aprofundar o diálogo com o governo federal e os empresários do segmento siderúrgico a fim de marcar uma nova data para o lançamento da Frente. A iniciativa em Brasília é coordenada pelos deputados federais Reginaldo Lopes (PT-MG) e Jack Rocha (PT-ES)

A mudança se deu após os empresários do segmento siderúrgico anunciarem na última segunda-feira (20), em reunião com o governo federal, investimentos de R$ 100 bilhões na expansão da cadeia produtiva no setor para os próximos cinco anos.

O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, vê o anúncio de investimentos na siderurgia como positivo, porém avalia que os empresários não enxergam a cadeia produtiva como um todo e diz que falta uma política estruturante e de longo prazo para o aço no país, que inclua a valorização do trabalho e do trabalhador, e uma perspectiva tecnológica e de preservação ambiental.

“Qual é a quantidade e a qualidade dos empregos que vamos ter com esse investimento? Quais as contrapartidas para os trabalhadores? Esse setor terá um ganho enorme com as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), nos anúncios de investimento feitos pelo setor automotivo, na produção de bens de capital, numa política para a indústria naval. Por isso é necessária uma política estratégica, de Estado, para o aço, e é por isso que nós propomos a Frente Parlamentar da Indústria e do Trabalho no Aço, para que nós possamos acompanhar como serão feitos esses investimentos”, disse Loricardo.

Patrões recebem ajuda do governo, mas excluem trabalhadores

Em 23 de abril, o governo federal, por meio do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex), órgão ligado ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), anunciou o aumento de até 25% do imposto de importação de aço, dentro das cotas para 11 produtos do aço. A medida atendeu a um pleito do setor patronal do aço brasileiro, que reclama da invasão do aço chinês no território brasileiro. 

Porém, o setor patronal, enquanto conquista proteção tarifária do governo federal, não inclui os trabalhadores nos debates para a retomada do setor.

Segundo o coordenador do segmento siderúrgico da CNM/CUT, Fábio Piontkwski, o prazo de quinze dias a mais para o anúncio da Frente Parlamentar do Aço servirá para que os patrões se manifestem e participem da construção de uma agenda de reindustrialização que interesse ao conjunto de pessoas que fazem parte da cadeia produtiva do segmento. 

“Queremos mostrar mais uma vez a capacidade de diálogo entre trabalhadores e empresários. Foi um prazo de 15 dias para que se construa uma agenda para a gente debater a efetiva instalação desta Frente. Se eles não se manifestarem, nós vamos seguir sozinhos. Nesse tempo, vamos pressionar os deputados, os senadores, para que sejam colhidos o número suficiente de assinaturas para instalação”, afirma o dirigente.

Pressão dos trabalhadores deve continuar

Além de pressão em Brasília, os sindicalistas avaliam fazer mobilizações nas bases do segmento siderúrgico. Segundo Virginio Balbino, diretor de base do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco e trabalhador na Gerdau, uma das grandes empresas do segmento no país, apesar da choradeira feita ao governo federal sobre o aço estrangeiro, as grandes produtoras de aço instaladas no país apresentaram lucros enormes nos últimos anos e não se intimidam em retirar direitos dos trabalhadores.

“Para se ter uma ideia, no primeiro trimestre deste ano, eles tiveram um lucro no EBITDA (soma dos lucros da empresa antes de subtrair os juros, impostos, depreciação e amortização) de R$ 2,8 bilhões, e um lucro passivo, depois que se paga todas as suas despesas, de R$ 1,7 bilhões. Então a situação não está tão ruim para elas. O problema é que se alega uma expectativa de lucro muito alta e quando não conseguem aquilo eles dizem que tiveram prejuízo. Nós sabemos o poder que essas empresas têm em Brasília, nas relações com o Congresso, e isso dificulta a nossa articulação, mas tenho certeza que com o trabalho que estamos fazendo vamos abrir um canal de diálogo real com o patronato e colocar nossas propostas na mesa”, finaliza o representante do trabalhador.