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Coletivos da CNM/CUT se reúnem para construir planos de ações para 2022

Tereza Campello, ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, participa do encontro para falar sobre a importância da política nas questões que envolvem a garantia de direitos sociais

Publicado: 09 Março, 2022 - 20h18 | Última modificação: 09 Março, 2022 - 20h25

Escrito por: Redação CNM/CUT

Edson Rimonatto (Rima)
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Entre os dias 10 e 12 de março, pelo Zoom, os coletivos nacionais de Formação, Mulheres, Juventude, Igualdade Racial, Saúde, LGBTQIA+ e Relações Internacionais vão se reunir para construir, de forma democrática e inclusiva, planos de ações para 2022. 

Serão três dias de debates e só o primeiro será aberto ao público em geral e será transmitido ao vivo, pelo Facebook, a partir das 9 horas, nesta quinta-feira (10). 

A ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello será a convidada especial na abertura da atividade e ela vai falar sobre a centralidade das políticas de promoção da igualdade racial, de gênero, de juventude, os trabalhadores LGBTQI+ e de todas as questões que envolvem a garantia de direitos sociais na luta das trabalhadoras e dos trabalhadores e como isso tudo se comunga com uma agenda de desenvolvimento para o país nas eleições em 2022.

A ex-ministra do governo de Dilma Rousseff vai destacar o desmonte do Estado, a criminalização da pobreza e da classe trabalhadora, que foram reforçados no atual governo brasileiro, tendo em vista o seu caráter neofascista, patriarcal, racista, colonial.

A ideia é que Tereza traga insumos para o debate sobre como as políticas públicas podem e devem ser apontadas no debate político eleitoral e no trabalho de base em 2022, de forma que a classe trabalhadora, em sua diversidade, se veja inserida nestas pautas e consiga diferenciar e se reconhecer em um projeto de um país inclusivo e para todes.

Sobre o Encontro dos Coletivos

No período da tarde, do primeiro dia, e durante todo o dia 11, os coletivos vão se reunir, separadamente, para aprofundar os debates e com base nas reflexões feitas irão traçar ações estratégicas que envolvam, diretamente, as Federações, Departamentos e Sindicatos de base estaduais. O objetivo é a promoção de uma ação sindical mais democrática, plural e que ataque desigualdades que estruturam a exploração do capital sobre a classe trabalhadora.

No sábado, dia 12, os coletivos voltarão a se reunir para compartilhar as propostas, aprovar e pactuar entre “todes” a execução do plano de ação.

Eleições 2022

Para a CNM/CUT, em 2022 a disputa por mentes e corações será central para classe trabalhadora, porque é preciso que ela se veja em um projeto político que representa os seu interesse e alinhado com a luta antirracista, contra a homofobia, transfobia e o machismo

Segundo a entidade, é necessário e urgente um projeto de país que valorize e invista na juventude, em um futuro soberano, com dignidade inteira e não pela metade, e que a classe trabalhadora seja parte central do projeto de desenvolvimento de um país mais justo e menos desigual.

Metalúrgicas e metalúrgicos em ação

Para o presidente da CNM/CUT, Paulo Cayres, o Paulão, os coletivos são fundamentais para a estratégia da entidade e são eles que dão a direção às ações que a entidade vai realizar. Além disso, segundo ele, os coletivos são importantes para democratizar, formular, elaborar, refletir e central para dialogar com a base.

“Neste ano, que celebramos os 30 anos da organização das metalúrgicas e dos metalúrgicos da CUT, e ainda teremos as eleições das nossas vidas, é fundamental que a gente esteja engajado, como sempre tivemos, em pautas de interesse da sociedade. A luta pela igualdade também é uma luta sindical e os coletivos são fundamentais para chegarmos em cada trabalhador deste país”.  

Segundo o secretário-geral da entidade, Loricardo de Oliveira, os coletivos sempre foram importantes, este ano têm responsabilidades fundamentais na eleição das nossas vidas.

“Em 2022 serão as mulheres, os jovens, negras e negros, LGBTQI+, entre outros, que colocarão em prática a resolução do planejamento e a luta pelas reivindicações da categoria nos sindicatos, nas entidades filiadas e no chão de fábrica”, disse o dirigente.

Mulheres

A secretária de Mulheres da CNM/CUT, Marli Melo destaca que o papel dos representantes dos sindicatos será desafiador. “Temos que envolver homens e mulheres para podermos tornar mais justa e igualitária essa sociedade e promover a igualdade de gênero. A expectativa é que possamos, em um só propósito, nos unificar com o objetivo de transformar o comportamento de homens e meninos e faze-los aliados contra todas as formas de violência”.

Combate ao Racismo

Os trabalhadores negros e negras são os que ganham menos, que estão nos piores postos de trabalho, são os primeiros a serem mandados embora e por isso, segundo a secretária de Igualdade Racial da CNM/CUT, Christiane Aparecida dos Santos, as metalúrgicas e os metalúrgicos e as metalúrgicas têm grande importância na luta.

“Vivemos em uma sociedade e um mundo do trabalho e um local onde os trabalhadores e trabalhadoras sofrem diariamente com esse racismo que estrutura a nossa sociedade e o papel dos sindicatos, federações e as confederações é justamente de lutar por um mundo do trabalho mais justo e igualitário”.

Políticas Sociais

Para o coletivo LGBTQI+ este desafio é ainda maior, segundo a secretária de Políticas Sociais da CNM/CUT, Kelly Galhardo. Ela disse que o coletivo luta diariamente para ser reconhecido e os esforços são para garantir que os direitos da população LGBTQI+ sejam cumpridos e respeitados.

“Temos dificuldades de dialogar sobre o tema com sindicatos e entidades, mas poucos querem debater. Por isso fortalecer o coletivo é fundamental para termos nossas lutas e direitos respeitados.  Buscamos diariamente estratégias de fortalecer a estratégia desta política no movimento sindical e na sociedade”.

Juventude

No coletivo de juventude, segundo o secretário da pasta, Nicolas Sousa Mendes, a ideia é construir um espaço de troca de ideias, que fortaleça a identidade de grupo com uma estratégia nacional de mobilização da juventude trabalhadora.

“Sabemos que a juventude vem sendo um dos alvos deste governo, que assassina a juventude negra e periférica, que privatiza a educação e que retira direitos trabalhistas especialmente de quem está chegando no mercado de trabalho. O coletivo de juventude é onde podemos e devemos manter as ideias combativas do movimento sindical metalúrgico”.

Formação

O secretário de Formação, Renato Carlos de Almeida, disse que o coletivo de formação está em constante diálogo com os outros coletivos na construção de pautas que atendam aos interesses dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ele também destacou que o encontro dos coletivos têm sido espaço importante na construção de programas e projetos formativos, orientados pela política nacional da CUT, e elencados com as pautas de gênero, raça e juventude.

"A formação crítica abre portas e janelas e também nos convida a atuar cada vez mais para além do chão das fábricas, como também na luta pela libertação da classe trabalhadora das amarras do capital".

Relações internacionais

A classe trabalhadora ao longo do tempo, sempre lutou por melhores condições de trabalho, mais direitos e melhores salários, e quando essa luta se articula de forma regional, nacional e internacional ganha uma força enorme, destaca o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel.

“Como as empresas se articulam mundialmente é necessário um grau de organização que consiga fazer frente à elas. É justamente a partir da percepção de que não estamos isolados e sozinhos que podemos nos unir e mudar as relações de trabalho”.

Saúde do Trabalhador

Para a secretária de Saúde da CNM/CUT, Maria de Jesus, diante dos fatos que têm acontecido no mundo, além dessa pandemia da covid-19, na qual já morreram mais de 650 mil pessoas, no Brasil ainda precisa resistir ao desemprego, fome e a precariedade da saúde pública. Ela também destacou que o país tem mais desafios, com as sequelas causadas pela a covid-19, que desafia o sistema de saúde e os trabalhadores.

“Temos que lutar pela manutenção do SUS e todos os coletivos têm grandes desafios, juntos com sindicatos e a Confederação. Vivemos um momento onde somos atacado por esse desgoverno e temos muito trabalho a fazer, mas para isso o debate com a classe trabalhadora no chão de fábrica, nas ruas, em casa é importante para avançarmos e conquistarmos o que definirmos como ações de luta”.