MENU

Em agenda intensa em Brasília, dirigentes da CNM/CUT defendem pautas da categoria

Impeachment de Campos Neto, conversa sobre setor do aço e eletroeletrônicos e lançamento da Frente Parlamentar pelo setor naval fizeram parte da pauta de trabalho durante viagem

Publicado: 07 Julho, 2023 - 18h57 | Última modificação: 10 Julho, 2023 - 13h45

Escrito por: Redação CNM/CUT

Divulgação
notice
Metalúrgicos presentes no lançamento da Frente Parlamentar da Indústria Naval

Na última terça-feira (4) dirigentes da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT) estiveram em Brasília para intensa agenda política em que apresentaram e defenderam pautas importantes da categoria junto às esferas de poder nacional.

Foram três encontros importantes. No primeiro, os sindicalistas se encontraram com o Senador Paulo Paim (PT-RS) e com a assessoria da senadora Teresa Leitão (PT-PE), no qual entregaram um pedido de impeachment do atual presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por causa da política de altos juros que prejudica a economia brasileira e afeta os trabalhadores de forma cruel. Essa pauta atende ao que foi aprovado no 11º Congresso da CNM/CUT, em maio, quando os companheiros e companheiras definiram a luta pela queda de Campos Neto como prioridade.

A segunda agenda foi uma reunião com integrantes do Ministério do Desenvolvimento Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), no qual foi discutido o setor do aço e o setor eletroeletrônico. Nos últimos meses, a CNM/CUT vem conversando com diversos atores importantes destes setores para construção de iniciativas que colaborem com a reindustrialização do país, com participação efetiva dos trabalhadores na construção e garantia de conteúdo nacional, trabalho decente, emprego e renda.

A última agenda foi o lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Naval. A iniciativa se junta aos debates em que a CNM/CUT participa desde o início, no âmbito do Fórum Pela Retomada da Indústria Naval e Offshore, para construção de uma política pública permanente para o setor naval no país, reunindo representantes dos trabalhadores, governo e empresários.

Segundo o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, a participação da entidade nestas agendas mostra o protagonismo que a categoria possui dentro do debate da indústria nacional. 

“Não temos dúvidas que a Confederação sai fortalecida destas agendas e isso influi na nossa luta geral pela garantia de um Contrato Coletivo Nacional de Trabalho, pela luta contra práticas antissindicais e pela garantia de que os trabalhadores sejam agentes transformadores na economia nacional. Essas são as cobranças que nós estamos fazendo em todos os momentos nas agendas em que participamos”, afirmou o dirigente.

Para o secretário-geral da CNM/CUT, Renato Carlos de Almeida, o Renatinho, o envolvimento dos companheiros de outros sindicatos metalúrgicos pelo país nestas agendas mostra que a entidade quer construir uma política participativa nas regiões. Em Brasília, dirigentes metalúrgicos de Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo fizeram parte da comitiva.

“Conseguimos articular vários temas nesta viagem à Brasília, mostramos o protagonismo do trabalhador metalúrgico a nível nacional e colocamos o que de fato a CNM/CUT entende que seja necessário para todos os trabalhadores e trabalhadoras”, diz o sindicalista.

Entrega de documento no Senado

Na primeira agenda em Brasília, Loricardo entregou um documento ao senador Paulo Paim e à assessoria da senadora Teresa Leitão para pedir o impeachment do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, por conta da política nociva de juros praticada pelo banco, que vem prejudicando a economia brasileira e afetando diretamente os trabalhadores, como visto nas diversas paradas de produção de montadoras pelo país por falta de venda de veículos.

“Nós colocamos a nossa posição durante o 11º Congresso da CNM/CUT pela queda do Campos Neto. Agora em Brasília, articulamos isso junto ao Senado. O senador Paim sugeriu que fizéssemos uma agenda em agosto, com uma audiência pública para tratar da taxa de juros, debatendo os vários aspectos em que ela afeta, como o desenvolvimento do país, os direitos humanos, enfim”, explicou o sindicalista.

Aço e eletroeletrônico no Ministério da Indústria

A pauta debatida no Ministério da Indústria foi sobre o setor do aço, no qual os sindicalistas acertaram que futuramente terão uma nova reunião, desta vez com a presença do Instituto do Aço, para trabalhar algumas pautas em comum, principalmente de melhoria das condições de trabalho e responsabilidade social do setor. 

Em seguida, as conversas foram sobre o setor eletroeletrônico. Segundo o presidente da CNM/CUT, entidades privadas do setor já estão em conversas com a Confederação para também debater pautas de melhoria de condições de trabalho. Além disso, a conversa com o MDIC abordou a questão do ex-tarifário, medida que o governo implantou para redução de taxa de importação de produtos eletroeletrônicos e que afetou a produção nacional destes produtos, principalmente nas indústrias da Zona Franca de Manaus.

Lançamento da frente do setor naval

Por fim, uma concorrida cerimônia no Congresso lançou a Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval. 

Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí e coordenador do setor naval da CNM/CUT, Edson Rocha, a história da Frente Parlamentar começa ainda no passado, no final do governo Dilma, quando os trabalhadores buscaram resistir ao desmonte do setor provocado pela Lava Jato e depois pelos governos Temer e Bolsonaro. 

A luta foi reaquecida com a vitória do presidente Lula na última eleição, quando, além dos trabalhadores, o governo, empresários e outros setores reuniram-se para fazer o fórum pela retomada do setor, que ainda está em vigor, debatendo ações para formação de uma política pública de recuperação do setor naval. A Frente Parlamentar aparece junto a esses esforços.

“A iniciativa da frente parlamentar é ótima. A gente tá só iniciando os trabalhos, temos muito o que fazer pela frente, mas foi importante a presença de muitos interessados na construção dessa frente, deputados, trabalhadores, representantes de várias cidades, das empresas, porque acreditam na retomada brasileira, principalmente como uma fonte geradora de riqueza para o país, de renda dos trabalhadores e trabalho digno com qualidade para o povo brasileiro”, disse Edson.

Também presente no lançamento da Frente Parlamentar, o secretário de organização sindical da CNM/CUT e secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco, Abinadabe Santos, disse que no seu estado existem dois estaleiros que, em pleno funcionamento, já geraram cerca de 16 mil empregos diretos. Hoje, por causa do desmonte que a indústria naval sofreu no país nos últimos anos, esses estaleiros estão sobrevivendo apenas de reparos navais e contam com cerca de 1 mil trabalhadores diretos. "São companheiros que vem trabalhando com muita determinação e qualidade, na expectativa que dias melhores virão, e torcendo para que o atual governo federal faça uma política de estado para que este setor se reerga e traga mais embarcações e postos de trabalhos. Queremos que o setor naval volte a ser feliz", afirma Abinadabe.