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Em visita à China, metalúrgicos do ABC debatem política industrial no BRICS

Reunião com presidenta do Novo Banco de Desenvolvimento do BRICS, Dilma Rousseff, aconteceu na terça-feira (12) na sede, em Xangai, na China

Publicado: 14 Março, 2024 - 15h19 | Última modificação: 14 Março, 2024 - 15h30

Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos do ABC

Divulgação
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Dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC durante encontro com Dilma Rousseff na China

A comitiva dos Metalúrgicos do ABC desembarcou nesta quarta-feira (13) no Brasil após nove dias de visitas às fábricas na China e, em sua última agenda, foi recebida nesta terça-feira, dia 12, pela ex-presidenta da República e atual do Novo Banco de Desenvolvimento, conhecido como Banco dos Brics, Dilma Rousseff, na sede da instituição em Xangai. Na pauta, a ampliação do diálogo às seis diretrizes da nova política industrial, anunciadas em janeiro pelo governo federal, e as possibilidades de relação com a região do Grande ABC (SP).

“A gente discutiu muito sobre como o Banco dos Brics está dialogando com os países em desenvolvimento para melhorar a qualidade de vida das pessoas e, principalmente, com o olhar voltado ao Brasil, em projetos com estados e municípios junto ao governo federal”, destacou o diretor-executivo do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, presidente da IndustriALL-Brasil e Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC, Aroaldo Oliveira da Silva.

“Precisamos encaixar a nossa região nesta pauta e trabalharmos as seis diretrizes voltadas ao desenvolvimento econômico, social e sustentável no país”, disse. “Aos trabalhadores, pedimos que aguardem os próximos passos desta agenda e juntos vamos efetivar tudo o que foi discutido”. As diretrizes englobam a agroindústria; bioeconomia e meio ambiente; infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade; saúde; defesa; e tecnologia. (Saiba mais no quadro abaixo).

Transição
O diretor administrativo dos Metalúrgicos do ABC, Wellington Messias Damasceno, lembrou sobre a transição que o mundo passa neste momento. “Todo mundo fala da China e como o país está em processo de mudanças. No Brasil, agora que a gente começou a fazer acordo com as empresas para carro híbrido, não é nem elétrico ainda”.

“A gente tem uma preocupação enorme de como fica a questão dos empregos durante esta transição, como a gente fala de qualificação destes trabalhadores e para onde vão esses empregos, se a gente consegue manter no mesmo parque industrial existente, se um novo parque vai surgir e se esse vai perder a importância. Então, também um dos objetivos desta nossa viagem é ver o que a China está fazendo e nos propor soluções”.

Tudo a ver
Durante a conversa, a presidenta do Banco dos Brics afirmou que a vinda da delegação à China é uma forma de ser ativa na questão dos empregos. “É muito importante vocês terem a iniciativa e liderança para ampliação do debate. O ABC tem tudo a ver porque é atrativo e está em um lugar que tem infraestrutura, mão de obra qualificada, aeroporto, universidades, estradas que ligam o Brasil inteiro e está no estado mais rico da federação, São Paulo”.

Encontro
Na reunião, o coordenador da Regional Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra, Marcos Paulo Lourenço, o Marquinhos, falou sobre o impacto das reformas impostas aos trabalhadores e ao movimento sindical após o golpe em 2016. “As políticas do pós-golpe, sobretudo aquelas que tiraram a obrigatoriedade do conteúdo local como, por exemplo, o setor de petróleo e gás, fizeram com que muitas empresas do ABC diminuíssem ou até fechassem as portas”.

Já o vice-presidente do Sindicato, Carlos Caramelo, agradeceu a oportunidade do encontro e afirmou que, para o Sindicato, é um momento extremamente importante para ampliar o debate da categoria junto a presidenta Dilma. “Tudo isso graças à luta coletiva dos trabalhadores e trabalhadoras, da união, da legitimidade da nossa categoria e do protagonismo do nosso Sindicato”.

Brics
À frente do “Banco dos Brics”, desde março de 2023, e com mandato previsto até 2025, Dilma Rousseff assumiu o desafio de consolidar no cenário internacional um banco de fomento que ainda é jovem, mas que tem potencial para galgar espaço importante. O principal objetivo da instituição é disponibilizar capital e empréstimos para projetos de infraestrutura, desenvolvimento social e sustentabilidade nos países membros.

A instituição nasceu em 2015 com os países que formam a sigla Brics: Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul (“South Africa”, em inglês). Desde janeiro de 2024, o grupo inclui Egito, Etiópia, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Irã.

METAS E PRIORIDADES*

1 – Cadeias agroindustriais

Entre as prioridades estão, a fabricação de equipamentos para agricultura de precisão, máquinas agrícolas para a grande produção, ampliar e otimizar a capacidade produtiva da agricultura familiar para a produção de alimentos saudáveis.

2 – Saúde
A meta é ampliar a participação da produção no país de 42% para 70% das necessidades nacionais em medicamentos, vacinas, equipamentos e dispositivos médicos, o que contribuirá para fortalecer o SUS.

3 – Bem-estar das pessoas nas cidades
Envolve infraestrutura, saneamento, moradia e mobilidade sustentáveis. Entre as metas está reduzir em 20% o tempo de deslocamento das pessoas de casa para o trabalho. O foco será principalmente em eletromobilidade.

4 – Transformar digitalmente
Transformar digitalmente 90% do total das empresas industriais brasileiras digitalizadas e triplicar a participação da produção nacional nos segmentos de novas tecnologias. Prioritário o investimento na indústria 4.0 e na produção nacional de semicondutores

5 – Bioeconomia, descarbonização e transição e segurança energéticas
Ampliar em 50% a participação dos biocombustíveis na matriz energética de transportes. Aumentar o uso da biodiversidade pela indústria e reduzir em 30% a emissão de carbono da indústria nacional.

6 – Defesa
Alcançar autonomia na produção de 50% das tecnologias críticas de maneira a fortalecer a soberania nacional. Prioridade para desenvolvimento de energia nuclear, sistemas de comunicação e sensoriamento, sistemas de propulsão e veículos autônomos e remotamente controlados.

*Fonte: Agência Gov