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Futuro do mundo do trabalho é debatido em encontro dos metalúrgicos em Canoas (RS)

Evento reuniu dirigentes sindicais dos metalúrgicos e dos moveleiros, advogados, jornalistas assessores que integram as ações dos sindicatos

Publicado: 12 Dezembro, 2023 - 17h16 | Última modificação: 12 Dezembro, 2023 - 17h30

Escrito por: Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita (STIMMMEC) e FTM-RS

Rafaela Amaral (STIMMMEC)
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“O Trabalho do Futuro e Futuro do Trabalho: qual o modelo de formação e organização dos trabalhadores e trabalhadoras da indústria?” foi o tema do encontro realizado nesta segunda-feira (11). A atividade aconteceu no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita (STIMMMEC) e foi promovida pela Secretaria de Formação da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos do RS (FTM-RS), com o objetivo de pensar, coletivamente, caminhos para a ação sindical junto ao setor da indústria.

O diretor do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC de São Paulo e representante dos trabalhadores no Conselho Nacional do SENAI, Bigodinho da Volks, trouxe um contexto do mundo do trabalho que culminaram com a realidade atual. “A evolução é muito grande e se tu não entrar fica fora do jogo. Quem aqui ainda vai no banco? Hoje resolvemos tudo por aplicativos e como ficou os trabalhadores das agências bancárias?”, questionou.

“Trazendo para a nossa área, além da Tecnologia da Informação (TI) temos que considerar a Tecnologia da Automação (TA). A empresa produz a mesma quantia na ponta, com tudo automatizado, porém, voltamos a discutir para onde esse trabalhador vai”, ponderou o dirigente, ao destacar que o Brasil foi sucateado com a reforma trabalhista, que iniciou um processo de desindustrialização no país.

Segundo ele, diante disso é fundamental os sindicatos investirem em formação, pois o mundo do trabalho muda e as pessoas não percebem. “Precisamos garantir uma transição justa e isso diz respeito a organizar a sociedade para uma divisão justa. Isso é, dar condições para quem está empregado se atualizar e quem está fora, conseguir ingressar no mercado.”

O metalúrgico afirmou que a classe trabalhadora está pulverizada e as pessoas estão trabalhando no home office. “Mas em qual condições? Precisamos discutir isso, para regulamentar e dar condições de trabalho para as pessoas. Fora que as empresas economizaram muito com isso, em custos de Internet, de energia elétrica e até em produtos de limpeza”, salientou.

As possíveis consequências para a saúde do trabalhador, a partir da realidade do trabalho a distância, com o aumento de casos de depressão, ansiedade e até mesmo, suicídios foi abordado pelo dirigente. “Temos o assédio moral, sexual e o cibernético. E precisamos olhar e falar disso”, avalia.

Por fim, o dirigente afirmou que, independente das mudanças e desafios impostos pelo mundo do trabalho, é necessário discutir uma política pública de emprego. “É preciso garantir dignidade para as pessoas”, defendeu.

Formação diferenciada

Na abertura do evento, o presidente do STIMMMEC e secretário de Formação da FTM-RS, Paulo Chitolina, contou que os dirigentes estão pensando uma formação diferenciada para o ano que vem. “Precisamos conectar todas as áreas para pensar a formação, comunicação, advogados, contabilidade e demais assessorias. A partir disso, debater o futuro para os trabalhadores, preparar os nossos dirigentes, como vamos nos comunicar com a categoria e fazer a gestão das nossas entidades diante das mudanças que estão colocadas”, disse.

“Esse importante debate sobre o mundo do trabalho é a retomada de discussões que eram feitas anos atrás”, disse o presidente da FTM-RS, Lírio Segalla. “Há 30 anos já discutíamos o que acontece hoje, já tínhamos um diagnóstico, mas não tivemos as ações necessárias”, avaliou. De acordo com ele, tudo o que vamos enfrentar precisa de organização no local de trabalho, essa é a principal tarefa do movimento sindical.

Para o Superintendente Regional do Trabalho no RS, Claudir Nespolo, “é preciso estar atento as tendências do mundo do trabalho, mas não esquecer da base”, disse. Ele também falou sobre a importância do ensino técnico como meio de qualificação e informou que há 157 escolas técnicas e 22, técnicas agrícolas no estado. “Porém, qual é o aproveitamento? Por isso, estamos começando um processo de diagnóstico do ensino técnico pensando o profissional do futuro”, informou o superintendente.

O evento reuniu dirigentes sindicais dos metalúrgicos e dos moveleiros, advogados, jornalistas assessores que integram as ações dos sindicatos.