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Medida unilateral da Mercedes no ABC deixa trabalhadores em pânico, diz sindicalista

CNM/CUT destaca importância da solidariedade aos metalúrgicos e metalúrgicas em SBC e agradece apoio internacional pela luta por empregos e contra a terceirização, que precariza relações do trabalho

Publicado: 15 Setembro, 2022 - 18h22 | Última modificação: 15 Setembro, 2022 - 19h16

Escrito por: Redação CNM/CUT

Edson Rimonatto (Rima)
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Imagina chegar no trabalho e, sem esperar, você recebe um boletim da empresa informando que devido ao processo de reestruturação haverá redução do quadro de trabalhadores e trabalhadoras e seu emprego está na mira. Foi isso que aconteceu com quase 10 mil pessoas que trabalham na Mercedes Benz, no ABC paulista. A medida unilateral da multinacional deixou todo mundo em pânico, afirma a sindicalista, Cristina Aparecida Neves.

Segundo ela, que é membro do Comitê Sindical da Empresa, da Comissão de mulheres do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC) e do conselho fiscal da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT (CNM/CUT), a notícia gerou um clima de velório na fábrica e que não tinha como ser diferente.

A Mercedes-Benz do Brasil informou aos trabalhadores, no dia 6 de setembro, que vai eliminar 3,6 mil postos de trabalho na fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista. O número equivale a 35% dos 10,4 mil funcionários da planta que produz caminhões e ônibus. A montadora também disse que decidiu terceirizar atividades de setores como logística, manutenção, fabricação e montagem de eixos dianteiro e transmissão média, ferramentaria e laboratórios. A medida vai impactar 2.220 efetivos e 1.400 contratados. 

“Foi uma situação que pegou todo mundo de surpresa, principalmente os que trabalham nas áreas afetadas. A Mercedes enviou o boletim e decidiu avisar a imprensa ao invés de chamar os representantes dos trabalhadores para começar as conversas. E nós, enquanto comitê sindical temos o papel de nos reunir com estes trabalhadores o tempo todo para explicar cada passo da negociação com a empresa, de forma transparente, para aliviar um pouco e melhorar o clima dentro da Mercedes”, ressalta Cristina.

O secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT e trabalhador na Mercedes em São Bernardo do Campo, disse que é importante que, neste momento, todas as companheiras e os companheiros precisam se manter imobilizados e que  todas as informações sejam adquiridas com os/as representantes dos/as trabalhadores/as da fábrica.

“É importante que os trabalhadores procurem pelos representantes do sindicato dentro da fábrica, que são responsáveis pelas informações sobre o processo de negociação. Neste momento tem muita especulação, muitas Fake News e muita gente mal intencionada”, ressaltou. 

Greve e primeiras conversas

Desde o dia 8 de setembro, seis mil metalúrgicos que trabalham na Mercedes-Benz, em São Bernardo do Campo, região do ABC Paulista, estão com as atividades paralisadas, como mostra a matéria da CUT.

Na primeira conversa com a direção da Mercedes-Benz com o SMBC, que aconteceu dia 13/9, os representantes da empresa apresentaram os números referentes à situação econômica e o Sindicato reiterou que não aceitará demissões de trabalhadores.

“O encontro de hoje foi o primeiro do processo de negociação. O Sindicato continuará debatendo com a empresa. Lembrando sempre que o objetivo da entidade sindical é a manutenção dos empregos”, disse trecho da nota que o SMABC divulgou após a conversa.

Solidariedade internacional e luta contra a terceirização

Maicon fez questão de informar que o SMABC tem recebido muito apoio e solidariedade internacional a respeito da situação que os trabalhadored da Mercedes Benz em São Bernardo do Campo tem passado. E ressaltou a verdadeira luta da categoria. 

“A gente fica emocionado ao saber que podemos contar com a solidariedade e ajuda de muita gente pelo mundo. Nossa articulação internacional busca sensibilizar a empresa a nível mundial para um acordo conosco. Um acordo que garanta a viabilidade da empresa e a manutenção dos empregos, principalmente nesse momento tão difícil que nós estamos vivendo da economia brasileira”. 

Falando em solidariedade, o presidente interino da CNM/CUT, Loricardo Oliveira, disse que a entidade e toda seus afiliados se solidarirazam com os trabalhadores da Mercedes e afirma que esta medida da multinacional causa precarização e enfraquece a negociação entre sindicatos e empresa.  

“A terceirização tem que ser uma pauta permanente dos nossos sindicatos e a gente sabe que qualquer empresa que está implantada a terceirização, a precariedade e a reclamação dos trabalhadores e trabalhadoras é enorme.  A terceirização é nefasta, porque tem como conceito que os salários sejam menores, as condições de trabalho sejam piores e as vidas desses trabalhadores permaneçam desiguais”, explicou Loricardo.