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Metalúrgica desabrigada pela enchente fala sobre o drama em São Leopoldo (RS)

Dirigente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo está abrigada em casa de parentes

Publicado: 27 Maio, 2024 - 12h04 | Última modificação: 27 Maio, 2024 - 13h45

Escrito por: Redação CNM/CUT*

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A rua e a frente da casa da metalúrgica e dirigente sindical Simone Peixoto, em São Leopoldo (RS)

“Antes, eu adorava o barulho da chuva. Agora me dá medo, agonia”. Esta afirmação foi feita pela metalúrgica na Delga, em São Leopoldo, e secretária de Prevenção e Saúde do Trabalhador no Sindicato dos Metalúrgicos na cidade, Simone Ribeiro Peixoto. Ela é mais uma das atingidas pelos alagamentos provocados pelas fortes chuvas que atingiram o Rio Grande do Sul nas últimas semanas.

A dirigente sindical teve de abandonar sua casa e se abrigar em uma residência de familiares em um município vizinho. Para que sua casa não fosse roubada por ladrões, o marido de sua sobrinha ficou no segundo piso do imóvel, cuidando do que foi possível salvar dos móveis.

“É uma sensação de impotência. Primeiro foi a agonia de ver a água subir dentro de casa e tentar salvar o que dava, achando que colocar algumas coisas em cima de cadeiras iria dar um jeito, sendo que a água subiu quase no teto. Depois dá uma ansiedade porque a água não dá jeito de baixar, e quando isso acontece você quer ir logo ver o que sobrou, se dá pra salvar alguma coisa”, disse a sindicalista.

Do que tinha em casa, Simone conseguiu salvar duas TVs, um microondas e algumas roupas, que conseguiu tirar logo no começo das chuvas. Depois, recuperou geladeira, máquina de lavar, fogão e cinco cadeiras. “O resto ficou jogado na calçada da casa”.

Seus vizinhos, amigos, parentes e conhecidos, também passam pelo mesmo sofrimento. “Isso dói muito. Meu irmão mora em outro bairro aqui em São Leopoldo. É aposentado, fez 70 anos no domingo passado. A casa dele cobriu de água. Como ele vai reconstruir tudo agora? Tem uma companheira metalúrgica em Charqueadas que também perdeu tudo, assim como eu”.

A sindicalista disse que não voltará para sua antiga casa e que está procurando outro lugar para morar, seja alugando ou até comprando. 

“Acredito que a cidade voltará ao normal, com certeza. Mas as pessoas não se sentem mais seguras onde moram. Elas culpam o município, o governo estadual, porém não se tocam que estamos agredindo o meio ambiente, o clima do planeta está mudando, teve até tornado em algumas cidades do Rio Grande do Sul, isso era coisa que acontecia só nos Estados Unidos”.

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Ginásio Bigornão recebe desabrigados e distribuição de refeições no Salão de Festas

Sindicato solidário

Desde o início de maio, o Ginásio Bigornão, do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo, recebeu até 800 pessoas desabrigadas. Atualmente, há cerca de 500 desabrigados, que representam 210 famílias. Na área de lazer do ginásio, estão alocados em torno de 50 pets, entre cães e gatos. 

“Está tudo bem organizado. As refeições para os desabrigados são feitas no salão de festas do Sindicato. E na sede do Sindicato existe um local para receber as doações, que são repassadas pros abrigados e o que sobrar é repassado para outros abrigos”, afirmou Simone.

* Com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São Leopoldo (RS)