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Metalúrgicos conhecem estaleiros em SC para debater setor naval

Retomada do setor poderá trazer competitividade para a produção de equipamentos brasileiros junto ao mercado internacional

Publicado: 29 Novembro, 2023 - 13h42 | Última modificação: 29 Novembro, 2023 - 14h25

Escrito por: Redação CNM/CUT

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Dirigentes da CNM/CUT, membros da Frente Parlamentar em Defesa da Indústria Naval, além de políticos locais, visitaram nesta segunda-feira (27) dois estaleiros em Itajaí (SC). As visitas fazem parte das agendas que trabalhadores e membros da frente parlamentar seguem pelo país para conhecer a realidade das empresas que fazem parte da indústria naval brasileira, visando a retomada do setor.

Os membros da comitiva conheceram a estrutura dos locais em Itajaí, suas capacidades produtivas e ouviram as demandas de quem trabalha nos estaleiros.

Segundo o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, a presença da entidade nestas visitas reforça o papel de protagonismo dos trabalhadores na retomada da indústria naval, setor estratégico da indústria nacional que pode oferecer empregos de qualidade, renda elevada e desenvolvimento tecnológico.

“Em um dos estaleiros em Itajaí vimos a preocupação com a diminuição da emissão de carbono, com a produção de embarcações de linha verde, usando baterias”, conta o dirigente. “Vimos também a utilização de tecnologia alemã para navios usados pela nossa Marinha e existe um compromisso de produção de navios contratada até 2030”, complementa.

BR do Mar prejudica iniciativas

Outro assunto discutido durante a visita foi a Amazônia Azul, como é conhecido o território marítimo brasileiro, uma zona econômica de muito potencial mas que pode sofrer sérios prejuízos por causa do projeto de lei BR do Mar, texto sancionado no governo Bolsonaro que liberou a navegação de cabotagem indiscriminada para navios estrangeiros e que afeta negativamente a indústria nacional.

“Vamos conversar com o governo federal para pedir a alteração da legislação da BR do Mar que causa prejuízos para as fronteiras marítimas do Brasil trazendo navios estrangeiros sem controle algum de quem está ali, de quem são os trabalhadores, enfim, dessa linha marítima da cabotagem que vai ficar na mão estrangeira”, afirma Loricardo.

O presidente da CNM/CUT revela que a entidade pedirá para fazer parte da câmara nacional da Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), empresa pública vinculada a projetos da Marinha. “É um espaço que tem atores importantes como a Abimaq, a Abinee, o BNDES, o sistema de engenharia, e pedimos nossa participação pois é importante ter a visão dos trabalhadores dentro desta empresa”.

Para o dirigente do Departamento da CNM/CUT de Santa Catarina, Adriano Braatz, a indústria naval brasileira tem um potencial enorme e precisa ser valorizada. “É preciso investir nos estaleiros e na indústria como um todo para recuperar o setor. Nossa visita serviu para ver o quão é importante a indústria naval brasileira”.

O presidente da Frente Parlamentar em Defesa do Setor Naval, deputado federal Alexandre Lindenmeyer (PT-RS), destaca que a retomada do setor poderá trazer competitividade para a produção de equipamentos brasileiros junto ao mercado internacional.

“Tivemos manifestações importantes favoráveis à Frente Parlamentar, como a do presidente Lula. Temos ministérios engajados nessa pauta, como o da Indústria e Comércio, temos a Petrobrás e a Transpetro juntos. Queremos retomar essa indústria pujante, como já foi no passado”, conclui o deputado.

A Frente Parlamentar da Indústria Naval está agendando um encontro com o presidente Lula na primeira quinzena de dezembro e estão sendo preparados também vistas a estaleiros em Pernambuco e Amazonas.