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Solidariedade a argentinos é fundamental na luta contra extrema direita mundial

Receita usada pelo governo de Javier Milei, que une neoliberalismo e autoritarismo contra trabalhadores, se repete pelo mundo e precisa ser combatida, avalia dirigente da CNM/CUT

Publicado: 26 Janeiro, 2024 - 17h25 | Última modificação: 26 Janeiro, 2024 - 19h15

Escrito por: Redação CNM/CUT

CTA Argentina
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Na última quarta-feira (24), milhares de argentinos tomaram as ruas do centro da capital do país, Buenos Aires, numa greve geral em protesto contra uma série de medidas anunciadas pelo governo de Javier Milei, que tomou posse em dezembro. O político de extrema direita pretende, através de um megaprojeto de lei com mais de 600 artigos chamado de “Lei Ônibus”, retirar direitos de trabalhadores e aposentados, impor a privatização de bens públicos, além de obter superpoderes para definir os rumos do país até o fim de seu mandato.

No mesmo dia, movimentos populares, centrais e entidades sindicais do Brasil realizaram protestos em diversas capitais em solidariedade à greve argentina. Além do apoio brasileiro, a Confederação Sindical das Américas (CSA) e a Confederação Sindical Internacional (CSI) também se solidarizam com o movimento.

O presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, acredita que a greve na Argentina representa o fortalecimento do movimento sindical local. A paralisação foi convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), a Central de Trabalhadores e Trabalhadoras (CTA) e a Central dos Trabalhadores da Argentina Autônoma (CTAA), principais centrais sindicais do país, e diversas outras entidades de trabalhadores argentinos, além de movimentos sociais, participaram da mobilização. Os 20 partidos que integram o bloco União pela Pátria, tendência política peronista e kirchnerista, de esquerda e centro-esquerda, também manifestaram respaldo ao protesto.

“Essa greve demonstra a capacidade dos trabalhadores argentinos de se mobilizarem e de falar que não aceitarão a retirada de direitos, não aceitarão um formato de governar o país onde a classe trabalhadora fique de fora de um projeto de desenvolvimento. É uma luta que fortalece também a luta do povo de toda a América Latina”, avalia o dirigente.

Loricardo destacou a solidariedade entre os metalúrgicos e metalúrgicas dos dois países e lembrou do papel da TVT, rede de TV brasileira administrada por trabalhadores, que foi à Argentina para mostrar a mobilização local. 

“A TVT pôde escutar os hermanos, falar, por exemplo, com dirigentes metalúrgicos argentinos. A CNM/CUT possui uma agenda de solidariedade com trabalhadores em todo o continente e a presença de uma emissora de televisão feita por trabalhadores brasileiros por lá reforça esses laços”, enfatiza.

Combater a extrema direita

Para o secretário de Relações Internacionais da CNM/CUT, Maicon Michel da Silva, a solidariedade aos trabalhadores e trabalhadoras argentinos é fundamental neste momento, pois o que acontece no país vizinho é retrato de como a extrema direita vem crescendo no mundo e precisa ser combatida. 

“Nos últimos 16 anos os governos de extrema direita estão se reproduzindo pelo mundo, usando uma cartilha econômica baseada no neoliberalismo econômico, com atitudes autoritárias e sempre tentando destruir a luta da classe trabalhadora. Na semana passada, um milhão de pessoas foram às ruas na Alemanha pedindo a interdição do partido de extrema direita AFD por fazer reuniões com neonazistas para debater a deportação de pessoas. Vemos também as pesquisas eleitorais mostrando a liderança de Donald Trump para a disputa das próximas eleições presidenciais estadunidenses e ele também defende ideias como a deportação de pessoas. O que acontece na Argentina e em outros países como a Itália - onde movimentos fascistas começam a aparecer em público com mais frequência - não é isolado”, explica Maicon.

Pauta vencida

O sindicalista avalia que a pauta econômica ultraliberal, principal argumento para as ações de Javier Milei, não encontra mais espaço no mundo, principalmente entre os países mais desenvolvidos. “Nem o Fundo Monetário Internacional (FMI), reconhecidamente um ator importante da economia de mercado no mundo, aprova mais o receituário neoliberal. O Consenso de Washington, recomendação da década de 1980 para aplicação de medidas neoliberais, não deu certo. Países centrais no capitalismo como Estados Unidos, China e União Europeia, alguns desses que inventaram esse consenso, não o seguem mais. Essa pauta econômica só se sustenta através de ações ditatoriais. O que Milei quer fazer é seguir isso, algo que já está datado e que a população argentina, acostumada a resistir a ataques autoritários, não vai permitir”.

Maicon recorda que o Brasil acaba de sair de um governo de extrema direita, comandado por Jair Bolsonaro, e sabe muito bem os males que este tipo de política pode provocar, principalmente para a classe trabalhadora. “O povo brasileiro sentiu na pele o que é pagar R$ 45 reais em um pacote de arroz, pagar R$ 15 em um litro de óleo, pagar R$ 80 no quilo da carne, ver filas gigantes em açougues em busca de osso para se alimentar. Nós tivemos durante o governo Bolsonaro cerca de dois terços da população com insuficiência alimentar. Passamos pelo processo que nossos irmãos argentinos estão passando, então temos que mostrar solidariedade para que eles superem este momento e voltem a ter um país democrático, com uma política monetária e econômica que favoreça a classe trabalhadora e gire a economia de uma forma virtuosa”, afirma o sindicalista.