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93% dos reajustes salariais dos metalúrgicos cutistas até maio tiveram aumento real

Dados do Dieese se referem a campanhas salariais com data-base no primeiro semestre em todo país, que estão chegando ao fim na base dos metalúrgicos ligados à CNM/CUT

Publicado: 19 Junho, 2023 - 14h50 | Última modificação: 19 Junho, 2023 - 15h15

Escrito por: Redação CNM/CUT

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Dados apurados pelo Dieese, a partir do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram que 93,7% dos reajustes salariais conquistados pelos metalúrgicos CUTistas nas campanhas salariais com data-base até o final de maio tiveram aumento real acima da inflação do período.

Segundo o cientista social e pesquisador do Dieese, Luís Augusto Ribeiro da Costa, os dados são muito positivos e há muito tempo que não se observam resultados tão favoráveis aos trabalhadores.

“Os fatores que explicam podem ser a queda consistente nos índices de inflação e uma possível retomada econômica em curso, expresso em alguns indicadores positivos, inclusive melhores do que o mercado esperava. Refiro-me especificamente ao crescimento do PIB no primeiro trimestre de 2023”, explica o pesquisador

Para a economista da subseção Dieese da CNM/CUT, Renata Filgueiras, mantendo-se o cenário atual, a expectativa é de que os resultados nas campanhas salariais do segundo semestre sejam tão bons ou melhores que os apurados para os metalúrgicos cutistas no primeiro semestre. “Mas é importante destacar que é urgente que a taxa de juros caia no Brasil para que esse cenário positivo continue e melhore”, alerta a economista.

Metalúrgicos em ação pelo país

Vários sindicatos metalúrgicos ligados à base da CNM/CUT pelo país terminaram ou estão próximos de terminar suas campanhas salariais por terem data-base válida até junho. 

Em Extrema, Minas Gerais, as negociações começaram em maio na Multilaser, que emprega cerca de 3 mil trabalhadores, estão na quarta rodada de negociação e ainda não surgiram propostas para serem apreciadas em assembleia. Segundo a presidenta do Sindicato dos Metalúrgicos de Extrema e Região, Alexandra Amaral, as negociações com a Multilaser estão difíceis por conta da crise financeira que atinge a empresa. O restante das empresas da base do sindicato possui data base em outubro e as plenárias estão sendo agendadas junto com a Federação Estadual da CUT em Minas Gerais (FEM/CUT-MG).

As negociações continuam na base do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, no Rio de Janeiro. Segundo Edson Carlos Rocha da Silva, dirigente do Sindicato, ainda não existe proposta na mesa e serão realizadas assembleias nas portas de fábricas para avisar aos trabalhadores o andamento das conversas. Edson denuncia que algumas empresas da base estão pressionando os sindicalistas com demissão por conta das negociações, o que configura prática antissindical. 

Em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, a convenção coletiva ainda não foi fechada, pois está em negociação com o sindicato patronal. O que já existe são negociações individuais por empresas com, em média, 9,5% de aumento. Segundo Alberto Sebastião Alvarenga, o Beto, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Campo Grande e Região (STIMMMEMS), o sindicato patronal não quer discutir sobre cláusulas sociais, apenas discutir o percentual de reajuste.

No Rio Grande do Sul, a mesa de negociação da Federação dos Trabalhadores Metalúrgicos da CUT-RS (FTM-RS) que negocia com o sindicato patronal inclui 17 sindicatos. As empresas de metalurgia e de máquinas agrícolas conquistaram 4,5% de aumento, além de abono variável a depender do número de trabalhadores das fábricas. Sindicatos como o de São Leopoldo e Novo Hamburgo ainda estão em negociação. O presidente da FTM-RS, Lírio Segalla, afirma que não houve muitos avanços em cláusulas sociais e que a mobilização foi maior para garantir direitos já existentes que os patrões queriam derrubar.

Em Canoas, também da base da FTM-RS, o reajuste local foi de 4,83%. Segundo o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas e Nova Santa Rita, Paulo Chitolina, neste ano os trabalhadores aprovaram uma pauta de reivindicações que incluiu cláusulas econômicas e sociais da Convenção Coletiva de Trabalho, totalizando 15 pontos. Desde o mês de abril, o sindicato local realizou assembleias nas portas das fábricas e, inclusive, organizou uma grande plenária de Organização e Mobilização no dia 16 de maio, que contou com a participação de mais de 100 trabalhadores.

Já em Santa Catarina, dos 9 sindicatos que fazem parte do departamento dos metalúrgicos da CNM/CUT no estado, apenas o de Pomerode tem data base em novembro. Os outros já terminaram as negociações. Os aumentos variam de 4,83% a 7%, a depender do sindicato e do mês onde foi fechado o acordo, o que influencia no valor da inflação usado para o cálculo. Segundo Wanderlei Monteiro, coordenador do departamento, dos que já terminaram as negociações, apenas o sindicato de Araquari não conquistou aumento real de salário. Não houve também parcelamento de salário em nenhum dos casos, os aumentos foram conquistados integralmente. Os sindicatos do estado não conseguiram avançar na conquista de direitos, atuando mais na manutenção dos que já existem. O dirigente avalia que os índices de reajuste conquistados neste ano foram muito melhores que os do ano passado, quando a maior parte dos sindicatos cutistas catarinenses conquistaram apenas o índice de inflação do período.

Em Feira de Santana, na Bahia, nas fábricas que já fecharam acordo foram conquistados reajuste com mais de 1% de ganho real acima da inflação do período. Segundo Fábio Dias, diretor de finanças do Sindicato dos Metalúrgicos de Feira de Santana e Região e presidente da Federação Interestadual dos Metalúrgicos do Nordeste (Fimetal), a expectativa é que até o final das negociações da base todas as empresas conquistem mais de 1% de ganho real, além de PLR, triênio, quinquênio e retorno de férias. 

Na última sexta-feira (16) foi aprovada a proposta de Convenção Coletiva (CCT 2023 - 2024) do Sindicato dos Metalúrgicos do Ceará. O reajuste varia de 3,8% a 5%, a depender do piso salarial. Foi aprovado também o pagamento parcelado de uma Participação nos Resultados (PR) até março de 2024. Segundo Maria Elenir da Silva Ribeiro, secretária de finanças do Sindicato, os reajustes contemplam a maioria dos trabalhadores. Ela destacou também que foram mantidos os demais direitos conquistados na convenção coletiva anterior.

Em Campina Grande, na Paraíba, a data-base é em maio. Segundo Marli Melo do Nascimento, secretária-geral do Sindicato dos Metalúrgicos de Campina Grande, o reajuste conquistado varia entre 5% e 6%, a depender do piso, mantendo ganho real acima da inflação, além de manter as cláusulas sociais da convenção anterior. A dirigente considera que a negociação foi vitoriosa, apesar das dificuldades na conversa com os patrões. 

Próximos meses serão de desafios

Para o presidente da CNM/CUT, Loricardo de Oliveira, o segundo semestre será desafiador para as campanhas salariais da categoria. O dirigente reforça que é preciso que os trabalhadores estejam mobilizados em todo o país para garantir conquistas econômicas e sociais.

“Cada companheiro e companheira tem que ir para as conversas e assembleias nas fábricas e sindicatos prontos para lutar e garantir aumento real, garantir valorização do piso salarial, garantir o aumento do valor no limitador salarial, garantir a inclusão das cláusulas referendadas pela CNM/CUT a incluir nas convenções e garantir a discussão  da redução da jornada e redução da taxa de juros”, conclamou Loricardo.